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O Mundo a Dois

06.11.14

Um casal vê o mundo a quatro-olhos. E por isso vê melhor, mais longe. Um casal faz planos: a curto, médio ou longo prazo, tanto faz. Pode ser uma ida ao cinema amanhã, um fim-de-semana na praia quando chegar o bom tempo, uns dias em Veneza a namorar ou uma semana de auto-caravana a explorar a Costa Alentejana. Não é importante quando, o importante é saber que existem.

Um casal cuida cada um de si para poder cuidar do outro. E quando um está doente, cansado ou em baixo, o outro arregaça as mangas, vai à farmácia e mima-o. E quando estão os dois tristes, apoiam-se um no outro, porque sabem que ser um casal é isso mesmo, chegar a casa e ter sempre um ombro que nos ampara, braços que nos abraçam, alguém que nos ouve com o coração e nos ajuda a pensar em soluções.

Para mim, conjugalidade, sexualidade e felicidade são como as três fadas benfazejas da Princesa Aurora, Flora, Fauna e Primavera. Elos que vivem unidos para o bem dos dois. A conjugalidade traz paz, segurança e estabilidade, a sexualidade traz desejo e intimidade e tudo isso somado, abre as portas da felicidade. Claro que na vida real nada se faz por magia.

A varinha de condão está na nossa vontade, nas nossas certezas e no nosso optimismo. Escolhemos aquela pessoa para estar ao nosso lado porque na verdade não nos imaginamos com mais ninguém. Até podemos imaginar partes da nossa vida com outras pessoas, como fazemos com os nossos amigos ou quando, sem viver uma relação estável, nos sentimos bem ao lado de alguém.

Mas o amor é outra coisa: é adormecer todos os dias agarrado a um corpo que se funde com o nosso e dormir em paz. É acordar devagar e desenhar rotinas leves e confortáveis. É não ter de fazer nada de especial para surpreender ou seduzir o outro, porque basta-nos estar ao lado dele para que tudo seja mais leve e mais fácil.

O cinema, a literatura e a música incutiram-nos uma visão distorcida do amor. Na arte e na ficção os amantes vivem separados por contingências várias que ultrapassam os heróis, mas na vida real, os amantes são os verdadeiros heróis, porque a vida já dá trabalho suficiente. Na vida real os amantes estão juntos e os dragões e as bruxas más morrem na praia.

Na vida real não há maçãs envenenadas e as que aparecem vão para o lixo. E não são precisos grandes gestos ou rasgos de génio para mostrar o amor que sentimos, bastam pequenas atenções: um chocolate, um frasco de mel, não te esqueças de tomar o xarope para a tosse, comprei-te este livro porque sei que vais gostar, vamos passear até á praia, compras-me um gelado?

Idealizar quem amamos faz parte de todos os inícios, mas é quando aceitamos o outro como ele é, com as suas parvoíces e os seus defeitos, que a verdadeiro amor lança as suas raízes. E para crescer forte, temos de aceitar os nossos defeitos e parvoíces, porque antes de sermos bons com os outros, temos de ser bons para nós.

Nem todas as pessoas conseguem formar casais felizes. Nem todas as pessoas conseguem dar tudo numa relação e acreditar que a dois o mundo é um lugar mais fácil e melhor. Mas aqueles que conseguem, são pessoas mais felizes. No man is an Island, escreveu o poeta John Donne. Nenhum homem é uma ilha, inteiro ou só. Cada homem é uma parte de um todo. E o todo forma-se com aqueles que amamos.

 

 

 

 

 

 

 

 

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