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O Dominó ao contrário

06.11.14

Welcome Mr Chance. Há um filme com este título, não há? Não me lembro da história, mas gosto da ideia de um homem que se chama sorte, e esse homem podias ser tu.

Dizem que o amor é sorte e a felicidade uma vocação. Demorei muitos anos a perceber que o amor era uma coisa e a felicidade outra. Pensava que o primeiro guardava a receita mágica para a segunda, como o açúcar para os bolos e a fermento para o soufflé. Queria tudo, sempre quis tudo e sempre pensei que aquilo que mais desejava, se fosse bom para mim e o melhor para os outros, acabaria por se tornar em realidade.

Já fizeste um dominó? Já pensaste que a existência humana é tantas vezes assim? Passamos dias, semanas, meses, anos a construir os nossos sonhos e, num breve instante, alguém tropeça neles e tudo se desfaz, numa sucessão de azares impossível de travar. E tudo se desmorona como um castelo de cartas.

Quando o meu dominó começa a cair, junto-lhe mais peças na cauda e aproveito para limpar fantasmas na enxurrada. Ao menos sofro tudo de uma vez, condenso a frustração num par de dias e depois fico a enxaguar a tristeza até ela secar ao sol.

Então, com muita calma, começo a montá-lo outra vez e, aos poucos, vejo-o

a crescer sozinho, como se o embate que fez cair as peças tivesse o poder de as levantar.

A esta capacidade rara de transformar problemas em soluções e encontrar novos caminhos em encruzilhadas, já chamaste persistência e sentido de justiça.

Sou e serei a mulher mais persistente que se cruzou no teu caminho, nunca conhecerás outra que acredite tanto na justiça dos seus sonhos e que por isso mesmo, nunca desista deles.

Mas ninguém consegue construir uma ponte sozinho, nem carregar um piano, nem mudar uma casa, por isso aprendi algo mais difícil; aprendi a não fazer nada quando aquilo que mais quero e desejo não depende só de mim . E com essa nova e preciosa lição veio a paz, a tranquilidade, a harmonia dos dias sossegados e das noites de sono profundo.

Aprendi muito contigo, com certeza mais do que imaginas possível. Aprendi com os meus erros, porque é quando se perde, que a lição é mais importante. Devia ter ficado quieta mais vezes, devia ter respeitado o teu silêncio e o teu espaço, deixar-te em paz em vez de te pedir o mundo, porque iria sempre amar-te, estivesses ou não ao meu lado, porque fazes parte de mim, mesmo sem saber se és a primeira ou a última peça do meu dominó, mesmo sem saber se o vais levantar ou deitar abaixo.

O amor tem o seu próprio mistério, tentar desvendá-lo é um erro, tentar apressá-lo um crime. Mas se um dia destes te apetecer voltar para os meus braços e construir um sonho comigo, podes bater à porta porque estarei por aqui, mergulhada numa paz tranquila e nova que me ensinaste sem saber.

O amor é mesmo assim; damos aos outros o nosso melhor sem sequer o saber. E tudo o que damos nunca se perde, nada se perde, apenas se transforma e se guarda numa caixa que só o futuro conhece e desvenda.

 

 

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