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O Bicho-Homem

06.11.14

Queixam-se os meus leitores da Flash que sou muito dura com os homens; congratulam-se as minhas leitoras com as minhas crónicas semanais porque as consideram certeiras e adequadas. Por isso, para ambos os sexos, quero que saibam que tudo o que aqui escrevo é de coração leve e de espírito aberto. Se há dias em que vejo os homens com melhores olhos do que outros, é como em tudo na vida; às vezes apetece-nos sushi e outras vezes, bife com batatas fritas. Mas é um facto que o bicho-homem é mesmo diferente do bicho-mulher e é por isso que não me canso de pensar nem de escrever sobre a dinâmica entre os sexos.

O Bicho-Homem é mesmo um bicho. Nunca dou como perdido o tempo que gasto a observar os homens; a forma como olham para as mulheres, o que fazem para conseguir voltar a cruzar o olhar, como são vulneráveis a sinais de sedução inequívocos e como ficam baralhados se lhes transmitimos informações contraditórias. Na praia, numa esplanada, num restaurante ou numa discoteca, os comportamentos não mudam muito: eles deslocam-se geralmente em bandos de 3 a 6 elementos e observam o ambiente em busca daquilo que em marketing se chama “uma janela de oportunidade”.

Apenas os que têm uma namorada mantêm uma postura mais discreta, e mesmo entre esses, há quem nunca desligue o segundo processador e se mantenha atento à loira que passou e sorriu, se esta for excepcionalmente interessante. Citando um amigo meu, extremoso pai de família, burro amarrado também pasta. E o burro só fica amarrado enquanto quer, porque se lhe apetecer roer a corda, nem que seja uma vez na vida, também não se ensaia nada de o fazer.

Não é defeito, nem sequer feitio, é a génese do ser humano. O homem caça e luta, a mulher intriga e sonha. Ele luta no trabalho para conseguir uma promoção com o mesmo instinto que lutava há 5 mil anos contra ursos e outros homens. E caça comida e mulheres, pardais ou Cátias ou Soraias, porque é o mesmo instinto que lhe corre nas veias.

A mulher é colectora e cuidadora. Era ela há 5 mil anos que colhia a frutas das árvores e os alimentos das hortas, que amamentava os filhos e os educava até à idade em que se tornavam homens e eram iniciados pelos pais nos ritos da luta, da caça e da conquista das mulheres. Por isso o Bicho-Homem procura a companhia dos seus pares a partir de uma certa idade, e se não o faz, algo está fora da evolução natural.

Tudo isto para chegar ao tempo presente, este insuportável Verão de 2012 durante o qual vamos assistir a dezenas de festas nas quais irão desfilar bando e bando de rapaziada agrupados por estilos e faixas etárias, dos betinhos ao modelitos, passando pelos tios divorciados em busca de uma namorada com a idade da filha mais velha, sem esquecer os parolos do interior que alugam um T-0 em Alfubeira e fazem tudo o que puderem para entrar nos lugares da moda, com especial destaque para o estilo "wanna-be", espécie que merece uma crónica porque sobre este há muito para dizer.

Para a semana cá nos encontramos, divirtam-se e boas férias.

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