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HOJE ACORDEI A PENSAR - DOS SONHOS E PORQUE É QUE NUNCA ME CANSO DO PEDRO PAIXÃO NEM DE LER OS LIVROS DELE

29.12.14

I have sroead my dreams under your feet yats.jpg

 

Não sou dada a achaques, mas durante a chamada Quadra Natalícia vi-me confinada a pouco movimentos - o que dificultou o transporte e distribuição de presentes e outras manobras mais festivas - por causa de uma partida que as minhas costas em pregaram. E como recentemente visitara o meu amigo e grande escritor Pedro Paixão que me oferecera o seu mais recente romance, Espécie de Amor, conformei-me com a minha condição de mobilidade limitada e fiquei sossegada a ler. Espécie de Amor é um livro sobre a amizade. neste caso, a amizade que uniu Pedro Paixão e Miguel Esteves Cardoso, ambos figuras da maior relevância nas letras em Portugal nas décadas de 80 e 90.

A escrita do MEC, celebrizada nos seus livros de crónicas recolhidas da coluna que assinou durante anos no semanário Expresso está ainda presente nos media. A escrita de Pedro Paixão pode apenas ser apreciada nos seus livros, e por isso sinto-me uma privilegiada por fazer parte do seu pequeníssimo círculo de amigos e por receber das suas mãos os seus belissimos livros.

Escreve o Pedro em Espécie de Amor sobre o seu amigo Miguel, ser inteligente, bem vistas as coisas, já é um péssimo negócio, ser um génio, criar mundos que não existem senão no espírito e para o espírito, é o fim do mundo.

Todos os escritores e poetas que conheço vivem com grande peso a noção de fim do mundo, quer em relação a si mesmos, que em relação ao que os rodeia. Sentimos todos uma espécie particular de isolamento estrutural sem o qual não produzimos e que nos afasta da realidade. Ou seja, aquilo que nos alimenta também nos mata, pois é sabido que o isolamento, forçado ou voluntário - ou, no nosso caso, uma mistura das duas coisas - nos dá cabo da vida.

Passamos demasiado tempo a sonhar, a pensar, a cogitar, a empreender no nosso mundo e nem sempre é fácil voltar ao mundo real. Sobretudo quando os nossos sonhos se transformam em vontade e queremos transporta-los para a dimensão da realidade possível, aquela que de facto acontece, lá fora, onde vivem as outras pessoas.

Conta-se que o filosofo Kant saía todos os dias de casa pontualmente às 5 da tarde com um guarda-chuva, existissem ou não nuvens no céu. Não sei onde ía ou com quem se encontrava, mas todos os escritores e poetas que conheço sentem esta necessidade de sair da sua toca antes que esta os devore no seu conforto e no seu silêncio. Afinal, o mundo está todo lá fora e só quando temos alguém que nos ama por perto podemos construir o nosso mundo do qual falei há alguns posts atrás.

Ler o Pedro é mais do que um prazer, é uma aprendizagem permanente sobre os mundos secretos que povoam o espírito dos escritores e poetas de quem ele conta pormenores e peripécias enquanto vai descrevendo o sentimento mais puro e desinteressado que o ser humano pode partilhar: a amizade. E mesmo que uma amizade  agonize, se canse e morra, ficam sempre as memórias, como eternos instantâneos na nossa cabeça, para mais tarde recordar.

 

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