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Gavetas e Contadores

06.11.14

Explicar a um homem como se organiza o cérebro feminino é tão difícil como explicar a uma mulher como funciona o cérebro masculino. Por isso o melhor usar metáforas, porque estas existem para explicar o que a realidade não consegue. E vamos devagar, porque devagar se vai longe, e mesmo que a viagem acabe na próxima esquina, mais vale fazê-la em pequenos passos, para ir aprendendo pelo caminho e saborear as surpresas da jornada.

Comecemos então por uma metáfora simples: todos estamos familiarizados com os dois sistemas operativos mais populares do mundo, Mac e PC, certo? Mas quem funciona bem com um, não consegue perceber o fascínio de quem prefere o outro. E no entanto, cumprem as mesmas funções. Um é mais intuitivo, dizem os apaixonados pela Mac. Nada disso, respondem os da facção pró PC. Vocês têm vírus, dizem os primeiros. E os vosso computadores são mais frágeis dizem os segundos. E nem sempre a malta se entende.

Entre homens e mulheres também é um bocadinho assim. Nós olhamos para as mesmas coisas de maneira diferente. Os homens compartimentam tudo, as mulheres misturam tudo. Os homens são como contadores indo-portugueses, cheio de gavetas, cada uma fechada e separada das outras, sem comunicação, a não ser que por azar venha o bicho da madeira e comece a fazer furinhos. As mulheres olham sempre para a realidade como um todo: elas vêm o quadro completo, a três dimensões, com presente, passado e futuro, com cenários possíveis e quase impossíveis. As mulheres não olham para a realidade como ela é, mas como gostaria que fossem: elas projectam, intrigam, sonham, imaginam, deixam que a vontade lhes tolde a lucidez, mesmo quando sabem que se estão a deixar enganar pelos outros ou por si mesmas.

Os homens tendem a olhar para a realidade de forma mais objectiva: medem prós e contras, separam o bom do mau e tentam fazes escolhas. Nem sempre conseguem e nem sempre acertam, mas tentam. As mulheres acham que conseguem tudo. Eles funcionam por compartimentos, nós em modelo open-space.

Os homens querem sossego e a vida arrumada em casa. Guardam a adrenalina para a guerra e para a luta, que é como quem diz no trabalho e no desporto, mas quando chega a hora do descanso do guerreiro, deixam as armas e o escudo lá fora e transformam-se em peluches de sofá. Porquê? Em primeiro lugar porque têm as diferentes áreas das suas vidas divididas, e em segundo lugar porque, por mais bélicos que sejam, precisam de um braço para desligar do mundo. Esse braço pode ser a mais-que-tudo, se não lhes moer o juízo; caso contrário, preferem o braço do sofá, que não dá beijos mas também não cansa.

Os homens pensam menos no amor do que as mulheres, o que não quer dizer que para eles não seja igualmente importante. Aliás, a experiência ensinou-me que quanto menos falam do tema, mais confiáveis e sérios são em relação ao mesmo. Os homens que nos prometem o mundo uma semana depois de os conhecermos ou são malucos, ou são mentirosos, ou são as duas coisas.

Mas voltemos à questão das gavetas, porque me parece fundamental para bom entendimento entre os dois sexos. Não vale a pena esperar que um homem nos fale de amor enquanto o seu Benfica está em campo ou no decorrer de um renhido torneio de golfe. Ou se precisa de preparar uma reunião importante. Ou se foi promovido ou despromovido. Se ele partilhar alguns dos seus receios sobre a sua vida profissional, já representa uma grande prova de confiança. E quando um homem confia numa mulher, é meio caminho para se apaixonar por ela.

É preciso perceber de uma vez por todas que eles precisam de silêncio e de espaço e que não vale a pena forçar nem o tempo nem o modo. Basta fazer-lhes um sinal e pedir que abram a gaveta onde nos metem. E depois o truque é saltar lá para dentro e nunca mais sair. Se ele gostar mesmo de nós, irá guardar-nos para sempre. Um homem sabe avaliar uma mulher como quem avalia um tesouro. E raramente se engana.

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