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E UM DIA TUDO MUDA

27.04.15

certas coisas demoram tempo a conseguir mas quando

O impossível não existe, o que existe é uma percepção limitada daquilo que é possível.  E os afectos só nos servem para nos abrir para o mundo e para nos dar segurança.

Partir não é fugir. Fugir é não falar, não ouvir, é viver escudado numa realidade fabricada.

O silêncio nuca resolve nada

 

Há um dia em que acordas e já te nada te dói. Dormiste nove horas sem sonhos agitados, a luz entra pela janela e o dia começa a puxar por ti. A ausência já não te pesa, o silêncio já não te sufoca. Olhas para o iphone e sabes que não vais ler nenhuma mensagem, mas também já não tens pena.

Pensas no outro e desejas que seja feliz, onde quer que esteja. Tens saudades, vais ter sempre, mas são saudades boas, porque sabes que essa pessoa não está ali porque não quer, porque quer outra vida, porque tem o direito de escolher o que quiser e tu não tens nada a ver com isso.

Olhas para o passado com distância, ainda sentes algum carinho, mas já estás a ser dominado por uma força oposta ao amor que é a indiferença. Começas a perceber que o que sonhaste nunca seria possível. Sentes que foste um bocadinho ingénua, talvez o outro também tenha sido, ninguém fez por mal, ambos deram o seu melhor, mas o não era a mesma coisa e por isso não conseguiste construir aquela realidade feita de duas realidades tão diferentes.

Já não sentes mágoa, a vida parece-te de novo leve a fácil, gostas de não ter ninguém de te sentir livre, de saber que logo à noite podes encomendar um sushi a ver a tua série preferida, ou apanhar um avião para um lugar qualquer onde te sintas em casa.

 

Vais porque sentes que já não precisas de fugir de nada nem de ninguém, vais porque queres, porque podes, porque tens domínio total do teu tempo, da tua consciência e da tua liberdade. Vais porque sabes que não carregas uma grama de tristeza na tua bagagem, voas com o vento, leve e livre como uma borboleta.

Acredito que as mudanças são quase sempre para melhor. É certo que assustam e só acontecem quando aqueles que as desejam não as temem, quando acreditas que tudo é possível. O Dalai Lama diz que o impossível não existe, o que existe é uma percepção limitada daquilo que é possível. A vida dá tantas voltas e o mundo está cheio de absurdos, mas a ordem natural acaba, mais cedo ou mais tarde, por restabelecer a paz. A sala de embarque é uma porta para um novo mundo e tu só mais uma pessoa por entre a multidão em busca de novos caminhos. Não és um peso na vida de ninguém e ninguém te pesa no coração, nada nem ninguém te limita para a vida.

Os afectos só nos servem para nos abrir para o mundo e para nos dar segurança. Partir não é fugir. Fugir é não falar, não ouvir, é viver escudado numa realidade fabricada. O silêncio nuca resolve nada. E tal como só quem já esteve preso conhece o verdadeiro sabor da liberdade, também só quem já foi refém de um grande amor valoriza a paz no coração.

Cada escravo carrega a chave da sua liberdade. Nem sempre a descobrimos quando queremos, mas quase sempre conseguimos encontra-la quando mais precisamos dela.

A Simone de Beauvoir escreveu é mais fácil viver numa escravidão cega do que trabalhar para se libertar. Somos todos escravos do nosso coração quando o usamos para viver, ou da ausência dele, quando o transformamos num motor que serve apenas para bombear o sangue. Aqueles que dizem tudo e vivem tudo sem medo sofrem tanto como os que contêm o que sentem dentro de caixa negra.

Toda a gente sofre por amor, mas quem dá tudo, é sempre mais livre. E acredito que também por isso, mais feliz. E ser feliz é encontrar paz em tudo o que se tem, que é sempre muito mais do que pensamos.

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