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DO DESEJO E DAS LEIS DA ECONOMIA

04.06.15

never let go that sad called desire - patti Smith.

 O desejo corre em águas profundas e, se não o conseguimos controlar, devemos pelo menos tentar entende-lo. O entendimento não resolve tudo, mas ajuda a manter a cabeça limpa e as ideias arrumadas.

 

 

Isto de ter um irmão gestor e vários amigos economistas deu-me algumas ferramentas para interpretar as relações amorosas, embora a vida me tenha ensinado que os princípios básicos da economia sejam mais fáceis de aplicar em maçãs e beringelas do que no amor.

 

A grande questão do amor é que ele é muita coisa; envolve inúmeras variáveis diferentes, que por sua vez, diferem de pessoa para pessoa e de caso para caso. E quando nele correm as águas profundas do desejo, tudo se torna ainda mais complicado. Sabemos amar os filhos de forma incondicional, sabemos amar os pais com gratidão e espírito de vigilância, sabemos amar os irmãos com fraternidade e respeito e os amigos com cumplicidade, admiração e confiança.

Mas o amor apaixonado, que nos faz levantar voo ou ir para fora de pé de êxtase e de felicidade pura, é outra conversa. Há muito de misterioso e de alquímico nesse amor pleno e sério, que pode passar por fases tranquilas, ou agitar-se com uma tempestade, que tem tanto de paz como de guerra, e tanto de luz como de sombra.

O desejo corre em águas profundas e, se não o conseguimos controlar, devemos pelo menos tentar entende-lo. O entendimento não resolve tudo, mas ajuda a manter a cabeça limpa e as ideias arrumadas.

Voltando à economia, quando a paixão é imensa, intensa e parece infinita, é bom segurar os cavalos e esperar para ver se do outro lado também é. Senão, quando dermos por isso podemos estar a correr sozinhos para uma meta solitária e é muito fácil ir para fora de pé no amor, mais fácil e rápido do que julgamos, porque o amor também pode actuar no nosso cérebro como uma espécie de droga, e como é sabido, não existem drogas leves, são todas pesadas, e por isso, perigosas. É por isso recomendável algum recuo, sossego e silêncio, mesmo nos momentos mais intensos.

Quando as mulheres estavam menos disponíveis, os homens investiam muito mais tempo na demanda da conquista. A oferta feminina crescente e galopante facilitou a vida aos homens com consequências perversas. Agora, com tanta oferta, um tipo com boa aparência ou com posses que faça dele um alvo minimamente atraente, não precisa de andar atrás delas, porque são elas que andam atrás dele. O novo é irresistível e a diversidade, encantadora.

Nunca houve tanta oferta, o que faz com que a curva da procura diminua.

Mas o tempo não respeita o que é feito sem ele, daí a adequada aplicação da Lei da Oferta e da Procura. E a primeira regra feminina é não procurar.

Uma amiga minha que saía todos os fim-de-semanas em busca do seu príncipe e nunca conheceu ninguém de jeito, um dia foi ao supermercado de cabelo ainda molhado e roupa de ginástica e lá estava ele, entre o Presto e o Omo. Como ela não o levou a sério, deu-lhe picadeiro até ele conseguir provar que estava mesmo interessado, e quando levou a taça, andava há semanas atrás dela.

É bom que as mulheres entendam que na cabeça de um homem ter sexo é uma coisa e gostar de uma mulher é outra. Se ele tiver de lutar para a conquistar, irá sentir-se mais gratificado do que se isso lhe for entregue sem luta. Mas para isso, é preciso que a mulher lhe dê tempo e espaço para tal. No pain, no gain, como dizem os ingleses.

Estar quieto também é uma acção. Conheço poucas coisas mais difíceis de fazer quando estamos apaixonados. Mas vale sempre a pena tentar.

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