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Bem vindos!

06.11.14

Olá!

É com o maior sorriso que consigo imaginar que inicio o meu blogue. Há muito que o queria fazer, mas sinto que é agora o momento certo. 

Começo por vos deixar o texto de introdução publicada em ‘Os Milagres Acontecem Devagar’, o meu 11º romance que chegou esta semana às livrarias.

A história começou a germinar na minha cabeça como uma semente quando uma amiga terapeuta comentou num jantar de mulheres que tinha dois pacientes que tinham uma caso e não sabiam: a vida está cheia de coincidências, ou então, como digo há muito anos, não há coincidências, não é? Depois pedi a dois amigos homens e duas amigas mulheres que me emprestassem as suas histórias pessoais masculinas num só personagem e dividi as femininas por duas mulheres. E assim nasceu o triângulo amoroso formado por Maria do mar, Henrique e Catarina. E mais não conto!

Aqui fica a introdução. Espero que gostem. 

"Como vivemos o amor depois dos 40 anos? O que é que ainda estamos dispostos a fazer, até que ponto queremos ou conseguimos ceder tempo e espaço para construir uma relação? O que é que ainda conseguimos mudar em nós e o que podemos esperar que o outro mude?

Depois dos 40 já vivemos metade da nossa vida. Criámos hábitos, vícios, manias. Sabemos o que gostamos e o que não gostamos em nós e nos outros. Conhecemos os nossos defeitos e as nossas qualidades. Começamos a aprender a viver com algumas limitações: dormimos menos horas, vemos pior, temos menos tolerância para tudo aquilo que não consideramos importante. Entusiasmamo-nos com menos ingenuidade e apaixonamo-nos com maior profundidade. No fundo, de forma consciente ou inconsciente, escolhemos mais. Mas nem sempre escolhemos melhor. E entre nós há ainda quem sinta o mundo a encolher à sua volta e acredite que as escolhas serão sempre mais e mais escassas. Muitos trocaram sonhos nunca realizados por uma realidade conformada. Mas nem todos deixaram de sonhar.

Depois dos 40, quando tudo parece simplificar-se, afinal o amor é ainda mais complicado. Já carregamos metade de uma vida com casamentos e separações, traumas e desilusões, filhos ainda por criar e pais que já precisam dos nossos cuidados. Surgem as primeiras mazelas e aparecem as primeiras rugas. E no entanto, se encontrarmos alguém que nos atrai, com quem partilhamos interesses, convicções, valores e vontades, e se esse alguém se interessar por nós, em que medida estamos ainda disponíveis para arriscar, para abandonar a nossa zona de conforto e mudar de vida? Em última análise, até que ponto estamos ainda disponíveis para amar?

Nós somos a ultima geração Disney e a primeira dos vídeos pornográficos de livre acesso. Ainda preferimos telefonar em vez de enviar WhatsAps. Não acabamos relações por SMS. Muitos entre nós são filhos de casais que nunca se separaram. Quisemos tudo: carreiras brilhantes, casamentos perfeitos, filhos inteligentes, viagens, desporto e aventuras. Entrámos sem receio nem pudor na segunda e terceira volta das uniões de facto, juntando trapos e filhos como quem muda de camisa. Habituámo-nos a pensar que podíamos ter tudo e por isso, não precisávamos de fazer escolhas. Mas a vida acaba sempre por nos trocar as voltas: apaixonamo-nos por pessoas pouco disponíveis ou aborrecemo-nos quando a pessoa que sempre fez tudo por nós continua ao nosso lado.

A ambivalência profunda entre aquilo que ainda consideramos que é correcto e aquilo que nos apetece é o nosso ponto fraco. Fomos adultos muito cedo e, como é normal nas crianças precoces, demorámos e vamos ainda demorar muito tempo a amadurecer. E no entanto, alguns de nós ainda sonham com a eterna busca de um amor ideal, acreditando no poder da dedicação total e da fidelidade incondicional. Alguns de nós ainda sonham ser aquele casal perfeito para quem os outros olham com admiração e orgulho. Como se a perfeição pudesse existir.

Este é um romance que conta a história entre um homem e uma mulher que querem construir um amor possível no meio do caos amoroso e, da volatilidade afectiva, do medo da entrega e da resistência em sair da zona de conforto. Ambos vivem num labirinto, mas apenas um conseguirá sair e libertar-se."

Lisboa, 29 de Julho de 2014

CAPA OS MILAGRES ACONTECEM DEVAGAR.jpg

 

 

 

 

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1 comentário

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De Pedro Leitão a 15.11.2014 às 18:33

Muito bom este texto da vida depois dos 40, é a realidade.

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