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A SALA DE PÂNICO - NA ÍNTEGRA

20.07.15

homem areia.jpgSeria bom que a rapaziada em geral percebesse o quanto as mulheres apreciam um elemento que se faz à pista, sem medo de levantar voo, porque sabe planear uma aterragem se for necessário. E isso não quer dizer que vá a correr de olhos fechados direto ao precipício contando que lá em baixo esteja uma cascata de água doce à espera.

 

Há um lugar invisível nas cabeças masculinas que se chama a Sala de Pânico.

A Sala de Pânico é um sítio escuro, cheio de ruídos de floresta tropical e de monstros imaginários, sem janelas nem comunicação para o mundo exterior, onde os homens se refugiam quando não sabem literalmente o que fazer com uma mulher.

Ora isto acontece com alguma frequência e pode ter origem de ordem variada. Pode ver com o facto de aparecer uma mulher que tem tudo o que eles sempre sonharam e que se interessa por eles. Já dizia o Mark Twain: existem duas desgraças na vida, uma é querer desesperadamente alguma coisa e a outra é alcança-la. Nada assusta mais um homem do que o medo de desiludir uma mulher, confessou-me uma fonte próxima, leão de gema, homem que faz parte da minoria entre a classe masculina que não tem medo das mulheres, porque não tem medo de nada. São poucos e é uma pena, porque os outros, o que têm mais ou menos medo de nós, acabam por nos dar algum trabalho e nos provocar um certo desconforto.

A entrada para a Sala de Pânico tem quase sempre origem num sentimento profundo de confusão, fascínio e medo, tudo misturado. Sentem-se apaixonados e por isso, fragilizados e a mulher por quem se apaixonaram tem uma personalidade forte, - o que os faz pensar que nunca vão conseguir mandar nela – e tudo junto, dá medo.

Não conheço nenhuma Sala de Pânico porque o cérebro das mulheres não vem equipado com tal dispositivo. Nós temos medo de engordar, de envelhecer, de ficar chatas, de perder o brilho, de não conseguir educar os filhos da melhor maneira, de não ter tempo para tudo o que precisamos de fazer todos os dias, mas raramente temos medo dos homens. E mesmo que tenhamos vivido experiencias menos felizes, quase todas, em algum momento, nos libertamos desse medo e avançamos. Quando queremos romper, seguimos em frente, o nosso coração é o nosso escudo, arregaçamos as mangas e aqui vai disto.

Ao contrário das mulheres, os homens raramente são temerários no amor. Eles fazem a guerra longe de casa, nós somos guerreiras domésticas. Sabemos muito bem como iniciar uma guerra em casa e depois como retomar a paz. E quando um homem entra para a Sala de Pânico, mesmos sem guerra à vista, o melhor é deixa-lo lá ficar um bocado, até se sentir com forças para sair.

Na cabeça dos homens existem outras salas. Como a Sala de Espera. Eles pensam que nos podem pôr lá dentro e que vamos congelar, tipo bacalhau norueguês, enquanto estão a pensar se querem ou não ter, ou continuar a ter uma relação connosco. As mulheres também fazem o mesmo. É normal uma pessoa hesitar, ter dúvidas, dar um tempo. No entanto, são salas diferentes, porque os homens estão habituados a ouvir não, pelo menos à primeira, e as mulheres nunca gostam de ouvir um não em momento algum, porque estão habituadas que lhes digam sim.

Levar tampas faz parte da vida e quem vai à guerra dá e leva, mas já dizia o grande escritor Machado de Assis, do amor querem-se atos de bravura, como na guerra. Ora seria bom que a rapaziada em geral percebesse o quanto as mulheres apreciam um elemento que se faz à pista, sem medo de levantar voo, porque sabe planear uma aterragem se for necessário. E isso não quer dizer que vá a correr de olhos fechados direto ao precipício contando que lá em baixo esteja uma cascata de água doce à espera.

Vestir a camisola é o contrário de entrar na Sala de Pânico. A classe feminina ficaria eternamente grata à rapaziada se fosse um bocadinho mais afoita e menos medrosa. A vida era mais leve, mais divertida e sobretudo mais cheia de bons momentos, que é para isso que cá andamos.

 

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