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A PAIXAO É A PILHAS, O AMOR TEM BATERIA

15.06.15

 

Love always protects.jpg

 

Uma das regras básicas de um amor vedadeiro é o sentido de proteção pelo outro e pela relação que construímos com ele; uma vigilância atenta e serena, esperando do outro sempre o melhor, dando-lhe espaço e tempo para se organizar. Mas se não houver reciprocidade, então não é bem amor, é outra coisa qualquer que não nos vai fazer felizes, por isso o melhor é atirar a toalha para o chão e seguir em frente 

 

Estar apaixonado por alguém ou amar outra pessoa pode não ser a mesma coisa. Ou pode. Depende de quem ama, se sabe ou não amar. Há pessoas que só sabem apaixonar-se, que se alimentam de uma visão, de uma quimera, de um sonho que podemos tornar realidade se quisermos, mas que depois não querem, têm medo de arriscar, ou porque afinal, o objeto da paixão que provocava arrepios e borboletas da barriga não é assim tão importante, ou não gostam assim tanto dele.

Agir assim, dando tudo para depois tirar tudo, é como ser uma espécie de serial killer do coração.

Correr para caçar, lutar para apanhar a presa, devora-la e deixar a carcaça para os abutres. Mas será que é assim tão linear? Quase nunca é. O caçador também é caçado pela vertigem da paixão, de um início auspicioso de uma história de amor. Porque quando há matéria amorosa para além da matéria da paixão carnal, nunca é fácil partir, nunca é fácil largar. Há uma força que nos impele para o outro, mesmo quando ele se afasta. Ou que o traz de volta quando guardamos silêncio e distância.

Nada é linear, nada é previsível. Apenas podemos contar com a nossa fé em nós mesmos e com os desígnios misteriosos que a vida nos reserva. E se queremos esquecer o outro, o melhor é deixar bater o coração ao seu próprio ritmo, como as pás de uma ventoinha que nunca param de girar quando a desligamos; o embalo do seu peso continua a fazer com que rodem, cada vez mais devagar, até finalmente atingirem o estado da imobilidade. Só atingido esse estado, se pode olhar para baixo e ver nas águas tranquilas o que elas nos mostram.

Quando a corrente é forte, só se sente energia, desejo, vontade, dor, saudade, medo, tristeza, delírio. Não se consegue ver nada para além da nossa visão da realidade que é a que mais desejamos.

Sentimos uma ligação ao outro que no faz adivinhar quando está a pensar em nós, ou quando se desliga. Como dizia Fernão Capelo Gaivota, não há longe nem distância. Mas para isso o amor tem de suplantar o medo, a insegurança, o egoísmo, o orgulho. Ele consegue construir um arco por cima do tempo e para lá do espaço visível, consegue manter-se forte e intocável, mas para tal é preciso coragem e determinação.

Uma das regras básicas de um amor verdadeiro é o sentido de protecção pelo outro e pela relação que construímos com ele; uma vigilância atenta e serena, esperando do outro sempre o melhor, dando-lhe espaço e tempo para se organizar. Mas se não houver reciprocidade, então não é bem amor, é outra coisa qualquer que não nos vai fazer felizes, por isso o melhor é atirar a toalha para o chão e seguir em frente. Cada caso é um caso e o medo quase nunca nos dá o conselho mais sábio, mas na dúvida, o melhor é seguir o nosso instinto. Ele guia-nos sempre, em qualquer momento, basta dar-lhe ouvidos.

Se o outro nos amar, ainda que tenha passado por um período de dúvida ou de ausência, ele irá aparecer reflectido em algum lugar. Não apenas a sua imagem, mas a sua presença, o seu corpo, a sua voz, num abraço inesperado e no entanto desejado. Mas para isso, ele tem de saber amar.

O amor sobrevive à distância e não se dilui no tempo. O amor é forte e resistente. Estar apaixonado não chega. As pilhas acabam depressa. A paixão é a pilhas, o amor tem uma bateria.

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